Mensagem do padre » 06/11/2014

Creio na Ressurreição, Creio na Comunhão dos Santos

ressureiçãoDurante nossas vidas passamos por muitas dificuldades e provações, mas também é verdade que carregamos um desejo insaciável de vida, atravessamos nossos dias e anos lutando por viver, nos agarramos a ciência e especialmente a medicina para prolongar nossa vida biológica. Porém, sempre chega a última enfermidade da qual ninguém pode curar-nos.
Acontece com todos nós: não queremos pensar na morte, é melhor esquecê-la, vivendo cada dia como se fôssemos eternos, como se as pessoas que amamos ficassem o tempo todo ao nosso lado. Já sabemos que isso é um engano, a vida não é estática e sim dinâmica, não somos donos das pessoas e a vida biológica é muito frágil. Diante da morte de uma pessoa querida é inevitável a tristeza, vale lembrar o choro de Jesus pela morte de Lázaro (cf. Jo 11,35). Diante da dor o Senhor Jesus enxugou as lágrimas e (Jo 11,41). Sabemos que “levantou os olhos para o alto” era essa forma muito peculiar de Jesus rezar: Ele não se voltava para o Templo de Jerusalém como faziam os judeus, mas olhava para o céu. Jesus sabe que seu
Pai é amigo da vida e ouve as nossas orações. Jesus convida a não se fechar na dor e no desespero, mas olhar para o céu para penetrar no mistério da morte, que vai além do aspecto físico.
Quem morreu não fica despersonalizado, nem com uma identidade vaga e difusa, não se perde no vazio. Apesar da imagem impactante de ver a morte biológica do corpo e o enterro, essa pessoa na realidade vive! É verdade que não podemos mais desfrutar de sua presença física, mas por eles participarem da vida em Deus com maior intensidade nos amam mais do que antes e nos ajudam muito. Não existe uma separação, mas sim uma comunhão entre nós e eles. Por isso, a Igreja Católica celebra Finados no dia 02 de novembro, pois no dia anterior celebramos a Solenidade de Todos os Santos relacionando a morte com a vida: em Jesus Cristo a morte não tem a última palavra. Como ensinou Sta. Terezinha:“Eu não morro, entro na vida” (Lettre – 1782).

Desde a Antiguidade como mostram as inscrições nas catacumbas, onde os cristãos se refugiavam da perseguição, é possível ver muitas orações pelos
falecidos. Por isso, especialmente no dia de Finados nós fazemos orações pelos entes queridos, se algo impede que essa pessoa possa estar na vida plena e feliz junto de Deus, em sua misericórdia, o Senhor possa acolhê-los. A Profissão de Fé sintetiza o núcleo da fé católica e com convicção nós afirmamos nos artigos 9 e 11: “creio na comunhão dos santos”, “creio na ressurreição da
carne”. Amém.

Diácono Pedro Augusto Ciola de Almeida