Mensagem do padre » 15/02/2017

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós!

As palavras de São João resumem o ciclo do natal que acabamos de viver. O evangelista nos dá uma certeza dupla: Deus veio habitar entre nós e de forma concreta (encarnado). Essa certeza de fé nos dá certeza do que Isaias anunciou: a chegada do Emanuel (Is 7). Ele é o Deus que está/é conosco! Isso transforma nossa vida e nos dá a certeza de que, no meio da escuridão que encontramos, encheríamos sempre a luz da presença de Deus, que nada, nem ninguém pode tirar de nós.
Além disso, a afirmação joanina nos faz recordar que a natureza humana é boa:Deus a assumiu e a consagrou!
Deus fez sua morada naquilo que muitos querem desprezar como algo ruim ou passageiro, esquecendo se de que um dia esse mesmo corpo ressuscitará: nosso corpo é bom… Deus quis habitá-lo… Fez dele templo do Espírito!
A afirmação do primeiro capítulo do evangelho de João nos leva a uma mediadora essencial da obra da salvação: a Imaculada Virgem Maria. Ao apresentar essa verdade, o catecismo (484-511) nos relembra os dogmas marianos, verdades cridas e professadas, pela Igreja, ao longo da história: maternidade divina, imaculada conceição, virgindade perpétua e assunção.
O catecismo faz uma afirmação de suma importância para nossa reflexão: “O que a fé católica crê, acerca de Maria, funda-se no que ela crê acerca de Cristo, mas o que a fé ensina sobre Maria ilumina, por sua vez, sua fé em Cristo” (CIC 487). A partir disso, podemos dizer que
Maria tem muito a nos ensinar, para melhor seguirmos o seu Filho!
Nos últimos pontificados, encontramos palavras dos pontífices que nos ajudam a entender que a verdadeira devoção mariana consiste na imitação das suas virtudes. Vemos isso, nos documentos magisteriais, com Paulo VI na Marialis Cultus e João Paulo II na Redemptoris Mater. Bento XVI e Francisco seguiram a linha dos antecessores, mas sem escreverem documentos específicos sobre Maria.
Podemos dizer, de forma resumida, que Maria nos ensina algumas atitudes essenciais para nossa vida de fé: profunda comunhão com Deus, escuta da Sua Palavra, abertura para a vontade de Deus, prontidão em abrir mão da nossa vontade para fazer a dEle, atenção aos outros, perseverança nas provações e comunhão com a comunidade dos discípulos! Assim, podemos concluir que a Virgem Maria será sempre nosso grande exemplo! Podemos e devemos aproveitar esse tempo natalino para contemplar, com mais atenção, mais detidamente o testemunho de Maria para que nos tornemos seus verdadeiros devotos, na palavra e na vida!
Recordemos as palavras do Documento de Aparecida, que fazem eco das palavras de Bento XVI: “é ela quem brilha diante de nossos olhos, como imagem acabada e fidelíssima do seguimento de Cristo. Permaneçam na escola de Maria. Inspirem-se em seus ensinamentos.

Procurem acolher e guardar dentro do coração as luzes que ela, por mandato divino… Ela, que conservava todas estas recordações e as meditava no coração (Lc 2,19; cf. 2,51), ensina-nos o primado da escuta da Palavra na vida do discípulo e missionário… nela, a Palavra de Deus se encontra de verdade em sua casa, de onde sai e entra com naturalidade. Ela fala e pensa com a Palavra de Deus; a Palavra de Deus se faz a sua palavra e sua palavra nasce da Palavra de Deus.
Além disso, assim se revela que seus pensamentos estão em sintonia com os pensamentos de Deus, que seu querer é um querer junto com Deus. Estando intimamente penetrada pela Palavra de Deus, ela pode chegar a ser mãe da Palavra encarnada…Maria ajuda a manter vivas as atitudes de atenção, de serviço, de entrega e de gratuidade, que devem distinguir os discípulos de seu Filho” (Documento de Aparecida, nn.
270-272).

Padre Douglas Alves Fontes