Mensagem do padre » 26/06/2017

Pentecostes: O Espírito Santo renova a Esperança!

Neste mês de junho, celebramos a Solenidade de Pentecostes, voltando ao tempo litúrgico “Comum”. É quando fazemos memória da vinda do Espírito Santo sobre a Igreja nascente, suplicando também que a mesma força venha sobre nós, hoje. Vamos refletir sobre um pequeno recorte do Evangelho do domingo de Pentecostes (Jo 20, 19-23), atendo-nos a um aspecto que pode nos ajudar a melhor viver este mistério: “Estando fechadas as portas, por medo […], Jesus veio […], soprou sobre eles e lhes disse: ‘Recebei o Espírito Santo’”.

Mais do que o poder de seu corpo glorioso, Jesus mostra, com o gesto de sua entrada às portas fechadas, o alcance ilimitado de sua misericórdia. A barreira principal, ali, não era a porta, mas o medo dos discípulos, que os acorrentava; então Jesus entra e sopra sobre eles o Espírito Santo. “O perfeito amor lança fora o temor” (1Jo 4,18), é o que lemos na primeira carta de João. Ora, o Espírito Santo é o Perfeito Amor!

Cristo sopra sobre os discípulos o Amor vivo de Deus, e então o medo é lançado fora, e eles ficam “cheios de alegria” (Jo 20,20).
Este Sopro da Nova Criação é o mesmo Vento de Pentecostes, que tirou os discípulos do fechamento do medo, do sentimento de orfandade, de solidão, e os encheu com seu Fogo de Amor. É uma doce violência do Senhor, a vitória de um Amor que é maior do que nossas fraquezas.
Sim, é verdade que o próprio Deus declara: “Eis que estou à porta e bato” (Ap 3,20); mas, quando o Senhor olha para um filho seu e o vê sem forças de abrir a porta, Ele entra, sopra em seu interior o Vento do Amor, e, após enchê-lo com seu Espírito, abre, Ele mesmo, por dentro,
a porta, e leva a nova criatura para fora de si mesma, agora embriagada de uma dor novo.

O Evangelho renova nossa esperança! Os discípulos, reunidos em unanimidade de oração, juntamente com a Mãe de Deus, esperaram contra toda a esperança. Tudo que preciso fazer é entrar, pela oração, na sala de minha alma, não fugir dela, não sair antes que ela seja preenchida pelo Espírito Santo, e esperar que Cristo transponha minhas portas fechadas, entre e sopre em mim. Basta que eu seja sincero e apresente a ele as minhas barreiras – medos, inseguranças, pecados –, pedindo o Dom do Espírito Santo. Ele entrará e as romperá por dentro.

“Ele deseja mais dar-nos suas graças, do que nós recebê-las”, ensina Santo Agostinho. Confiemos na promessa do Mestre: “recebereis uma força, a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1,8). O Senhor está sempre conosco!