Mensagem do padre » 30/10/2013

Você “crê nisso?” (Jo 11,26)

luzNa fé de Israel todas as pessoas que morriam se dirigiam para o Xeol (cf. Nm 16,33): significa profundezas da terra onde os mortos “descem” e nesse lugar vivem os justos e os injustos. Isso não significa que todas as pessoas estavam nas mesmas condições, pois Jesus explica na parábola que o pobre Lázaro foi recebido no seio de Abraão, enquanto o rico avarento era atormentado na chama (cf. Lc 16, 19-31).

Os justos guardavam a esperança de serem libertados do Xeol (cf. Sl 49,16), por isso a nossa Profissão de Fé, que rezamos nos domingos e quando recitamos o terço, afirmamos que Jesus Cristo “desceu a mansão dos mortos (Xeol)” para libertar e conduzir ao Pai os justos que ansiosamente o esperavam.

De propósito a Igreja Católica celebra Finados no dia dois de novembro, pois no dia anterior celebramos a Solenidade de Todos os Santos relacionando a morte com a vida: em Jesus Cristo a morte não tem a última palavra. Os santos nos auxiliam para estarmos sempre junto de Deus.

Da mesma forma que Jesus falou a Marta também fala a você: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11,25). Você “crê nisso?” (Jo 11,26). E Marta mesmo abalada com a morte de Lázaro firmemente diz: “Sim, Senhor, eu creio” (Jo 11,26).

É natural especialmente no mês de novembro que nos lembramos das pessoas falecidas termos um sentimento de tristeza, vale lembrar que Jesus também chorou pela morte de Lázaro (cf. Jo 11,35).

Deus sabe perfeitamente o sofrimento que causa a morte de alguém que amamos, por isso veja a delicadeza com que Ele anuncia ao profeta Ezequiel a morte de sua esposa: “privar-te-ei daquilo que é o desejo dos teus olhos” (Ez 24,16). Talvez, Deus já disse a você também que lhe tiraria a pupila de seus olhos: seu marido, um filho, um grande amigo, sua mãe, mas fique em paz e sereno, pois Deus é Pai e cuida de cada um de nós.

É pela fé na ressurreição que o livro dos Macabeus pede para rezar e oferecer sacrifícios pelas pessoas falecidas (cf. II Mc 12, 43 – 46), em diversas catacumbas onde os cristãos perseguidos na Antiguidade se refugiavam é possível ver muitas inscrições contendo orações para as pessoas que faleceram, assim também devemos fazer.
Concluindo, mesmo que em nossas vidas aqui na Terra a pupila dos nossos olhos nos seja tirada podemos encontrar força na oração para dizermos a Jesus: “Sim, Senhor, eu creio” (Jo 11,26).

Seminarista Pedro Augusto de Almeida