Notícias » 24/07/2019

Ecumenismo em Assis, Secretariado de atividades: do lado dos pobres

“Pobres é uma palavra exigente e ambivalente para todas as tradições cristãs e um termo diferenciador no âmbito social e global.” Partindo dessa afirmação, o Secretariado de atividades ecumênicas (Sae), histórica associação italiana de leigos para o ecumenismo nascida com o Concílio Vaticano II, decidiu dedicar a 56ª Sessão de formação – em andamento até sábado, 27 de julho, na Domus Pacis de Assis, na região italiana da Úmbria – ao tema “as Igrejas diante da riqueza, da pobreza e dos bens da terra”.

“Iniciamos o ano passado com esse tema enormemente desafiador, mas tão atual, e era claro que não podíamos tratá-lo numa única sessão”, explicou o presidente do Secretariado de atividades ecumênicas, Piero Stefani, em entrevista ao Vatican News – Rádio Vaticano Itália. “Por isso voltamos este ano sobre a questão com uma atenção especial aos temas da pobreza”, enfatizou.

Diferentes posições entre as Igrejas cristãs

“É preciso considerar que a nossa associação é uma associação ecumênica e, por conseguinte, se interessa precipuamente pelas relações entre as Igrejas cristãs”, explicou Stefani.

“Como esperávamos, durante o curso de 2018 resultou que em relação ao tema da riqueza as Igrejas têm posições diferentes. Este ano nos interrogamos sobre qual posição os fiéis em Cristo, provenientes de diferentes experiências e comunidades, assumem em relação à pobreza alheia e também em relação ao ideal de pobreza próprio de cada confissão”, prosseguiu ele.

Pobreza como ideal evangélico

“A palavra pobreza pode ter um significado imediatamente negativo. É um dado de fato que o mundo se divide entre ricos e pobres e para além do conceito abstrato de pobreza há um problema muito concreto com o qual deparar-se.”

“Mas, como sabemos, no ideal evangélico há também a pobreza de espírito e uma pobreza que, como estilo de vida contemplativo, é uma das perspectivas mais inovadoras e desafiadoras que há dois mil anos percorre e inquieta a vida das Igrejas”, acrescentou.

A opção preferencial pelos pobres permanece profética

“Creio que em relação ao tema da pobreza hoje as várias confissões cristãs tenham que escolher em seu seio de que lado estar”, acrescentou o presidente do Secretariado de atividades ecumênicas.

“Poderia parecer óbvio dizer que a Igreja e as Igrejas hoje tenham que estar do lado dos pobres, mas na realidade dos fatos não é sempre assim. Quer no âmbito da divisão geográfica, no Norte e no Sul do mundo, quer também no seio de cada comunidade, as diferenças de tipo social, mas também espiritual e cultural são muito grandes. Daí que a chamada opção preferencial pelos pobres assume hoje, mais do que nunca, um significado profético”, disse ainda.

Ecologia é hoje um tema social

A sessão de formação ecumênica 2019 do Sae refletirá também sobre a proteção dos bens da terra, as mudanças climáticas, sobre a pobreza do globo vista como falta de energia, água e ar.

“Os temas da Laudato si’ são uma referência constante para nós. Tempos atrás se pensava que a ecologia dizia respeito aos países mais ricos, que explorando os bens da terra acabam depois sofrendo uma espécie de efeito bumerangue. Hoje sabemos que é um tema que diz respeito à globalidade da população porque os pobres da terra são propriamente os primeiros a sofrer as consequências do desastre ecológico.”

“Por isso, o tema da salvaguarda da Criação tornou-se um tema social geral imprescindível tanto para quem tem uma superabundância de riquezas como para quem vive na miséria”, comentou Stefani.

Reencontrar a unidade

Não há dúvida de que o magistério do Papa Francisco está chamando a atenção dos católicos e de todas as Igrejas cristãs para os temas da pobreza, do acolhimento dos migrantes, atenção para um sistema econômico que mata”.

O presidente do Secretariado de atividades ecumênicas concluiu ressaltando que esses temas também têm criado demasiadas divisões. “Ao invés – observou –, como cristãos, devemos reencontrar a unidade deparando-nos com a realidade, e não há divisão mais nítida hoje no mundo do que a existente entre ricos e pobres.”

Via Vatican News